O Míssil Humano
« rose marie muraro »

A humanidade, em seu todo, pode ser, hoje, comparada a um míssil. Sua força de propulsão é constituída por todos os gênios criadores que produziu desde as suas origens. Boa parte de todos esses cérebros privilegiados estão vivos no século XXI. É esta equipe prodigiosa que nos lança, hoje, com velocidade cada vez mais acelerada, para o nosso destino.
E para onde nos conduzirá ela?

- se tudo caminhar bem, isto é, se as inúmeras peças da engrenagem funcionarem corretamente, se estiverem perfeitamente coordenadas, se todos cumprirem pontualmente a sua missão, o lançamento será bem sucedido e o foguete se elevará majestosamente, cercado de um mar de prosperidade;

- se, ao contrário, a coordenação entre as peças for defeituosa, o míssil explodirá e seus destroços perder-se-ão, deixando um rastro de destruição... O futuro da humanidade está prefigurado em uma ou outra destas imagens.

Neste momento, vemos em luta, no mundo, forças de coesão e forças de repulsão. Entre as primeiras, todas as organizações em luta pela promoção humana e pela paz: as Igrejas, a ONU, a FAO, a UNESCO.

Entre as segundas, os ódios raciais ou religiosos, os individualismos, os antagonismos nacionais ou mundiais.

Se as forças de coesão prevalecerem, o míssil humano elevar-se-á até uma prodigiosa Idade de Ouro de um esplendor jamais imaginado.

Se os antagonismos vencerem, explodiremos todos em uma incrível catástrofe atômica.

Chegamos ao "minuto de verdade" em que qualquer cálculo egoísta de curta visão pode ser mortal. Contrariamente ao que pensam os cínicos, não é porque "o homem é um lobo para o homem" que ele conquistou o mundo; mas porque, desde as origens de sua espécie, existiram seres altruístas que protegeram os fracos e os sábios, e porque todas as mães foram boas para seus filhinhos indefesos...

Se a ferocidade dos filhos de Caim tivesse prevalecido, há muito brilhariam em um deserto qualquer, os esqueletos dos últimos homens mortos em duelo de exterminação.

Hoje, pois, mais do que nunca, a humanidade está aberta, pela própria violência dos fatos materiais, a receber os valores cristãos, que são a Encarnação do Amor na história. Assim, depende, mais do que nunca, hoje, de nós, o destino e o futuro da humanidade.