Santa Rosa Quando valer a verdade e a vida,
quando os homens andarem de mãos dadas,
e trabalharem todos na mesma lida,
na busca das manhãs ensolaradas...Quando os homens colocarem no seu dia,
mesmo o mais triste e cinzento,
um segundo que seja de alegria,
e dele fizerem seu melhor momento...Quando os homens abrirem suas janelas,
para olharem muito além dos seus quintais,
e semearem sementes das flores mais belas,
recolhendo suas sombras dos varais...Quando os homens acreditarem na humanidade,
fazendo-se árvore que não se verga ao vento,
ou sendo campo que mesmo sob tempestade,
ondula e renasce germinando alimento...Quando os homens estiverem livres do jugo
da mentira e da cobiça dos delirantes
e pousarem poesia na mão do seu verdugo,
rasgando a consciência dos arrogantes...Quando os homens souberem amar,
fazendo desse amor o fiel da balança,
e aprenderem na vida a engatinhar,
com a ternura e pureza de uma criança...Quando os homens caminharem na tarde,
cantando o anoitecer pra estrelar o infinito,
e deixarem que a festa do dia chegue em alarde,
na boca do sol soprando seu clarão bendito...Quando os homens suprimirem do dicionário
o lodo da palavra que jorra da boca da ganância
e fizerem do humano grito um relicário
das almas que se amam sem medir distância...A partir deste momento, abençoado instante,
quando os homens, qual solo fértil que se refaz,
plantarem em si essa aurora acariciante
deles, qual semente híbrida, brotará a PAZ..." Lizete Abrahão "